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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Educação – Participação = Decepção

Voltando ao tema educação, vamos avaliar o resultado divulgado recentemente pela Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização), que traça um perfil do primeiro período de aprendizado em nossas escolas...


Na Prova ABC, aplicada no começo deste ano, participaram 6 mil alunos de 250 escolas, apenas das capitais. São alunos do 3º ano (antiga 2ª série) do ensino fundamental de escolas públicas e privadas.

Ao todo foram 20 questões (de múltipla escolha) avaliando os conhecimentos em leitura e matemática. Uma redação, com a proposta de escrever uma carta a um amigo contando sobre as férias, também fez parte da avaliação.

Analisando os resultados, uma professora da Faculdade de Educação da UFMG afirmou que as escolas estariam “produzindo crianças escolarizadas que são analfabetas”. Isso faz sentido? Pode apostar que sim.

Na média nacional, 56,1% dos alunos tiveram desempenho satisfatório em leitura. Em redação, o número cai para 53,4%. Em matemática, a média é ainda mais baixa: só 42,8% dos alunos se saíram bem.

Isso quer dizer o seguinte: cerca de metade (sim, metade) dos alunos de 8 anos não aprende o mínimo necessário nessas competências. Não entendem, por exemplo, para que serve a pontuação em um texto; têm grandes dificuldades para calcular operações simples e não conseguem organizar suas ideias por escrito.

Além das diferenças nítidas entre o ensino público e o particular, a prova também deixou evidente a desproporção na qualidade do ensino em diferentes regiões do país. Em algumas, menos de um terço dos alunos aprendeu o mínimo.

Só para citar duas das dificuldades mais conhecidas, temos a estrutura disponível (acesso à escola, condições das salas de aula, material didático, presença de professores auxiliares) e o número de alunos por sala.

Não quero dar atenção apenas aos resultados da prova – já que ela, além de só considerar as capitais, foi de múltipla escolha, o que certamente escondeu problemas ainda mais graves. Mas quero lembrar, mais uma vez, da importância de um ponto fundamental: a participação dos pais na vida escolar dos filhos.

Já deixei claro nesse blog que o maior problema, no caso da leitura, é o fato de que os alunos não aprendem a ler por prazer, nem na escola, nem em casa. Isso, naturalmente, se reflete na capacidade de escrever – afinal, como alguém pode aprender a redigir um texto corretamente sem ter o hábito da leitura?

Na matemática a história não é diferente. Imagine agora que você é um professor dessa disciplina, diante de 25, 30 alunos ou mais, em uma mesma sala. Você tem que ensinar um cálculo qualquer. No fim da aula, você pergunta se todos entenderam. Alguns respondem que sim. Os outros ficam calados.

Agora, imagine que você é o pai ou a mãe de um dos alunos que estavam na sala. Pergunto: você sabe se o seu filho aprendeu aquele cálculo? Tem certeza disso? Você acompanha o aprendizado dele? Como?

Nesse primeiro ciclo de aprendizado (até os 8 anos de idade), pais e escola precisam se empenhar mais. É claro que isso não é fácil, já que existem restrições por todos os lados (pais trabalham o dia todo, as salas de aula estão lotadas, faltam professores). Mas não existe outra forma de reverter essa realidade.

Esse trabalho em conjunto tem que ser real. Os pais têm que comparecer nas reuniões, perguntar sobre o desempenho da criança, esclarecer dúvidas. E os professores têm que informar, não só sobre o comportamento da sala, mas sobre o que os pais podem fazer para dar continuidade ao que foi visto nas aulas.

Devemos cobrar da escola? Sim. Do governo? Sem dúvida. Mas nunca devemos esquecer da responsabilidade das famílias no processo de aprendizado das crianças. Lembrando a velha propaganda daquela famosa pomada, “não basta ser pai (ou mãe) – tem que participar”.

Leonardo Donato

Referência: jornal O Estado de São Paulo, 26 de agosto de 2011.
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

A educação e o "plano do choro"


Para a estreia desse blog, vou postar um comentário que fiz em uma comunidade do Orkut sobre educação, em 2007. Nele, rebati as críticas feitas por uma professora, cansada da falta de interesse dos alunos. Em vermelho, estão as afirmações feitas por ela. Como você pode imaginar, para melhorar a educação, não existe milagre.


- “os alunos não se comprometem com as tarefas de casa”
- “mais e mais, temos alunos dispersivos, cansados, sonolentos e desmotivados”

O grande desafio de todos os profissionais da educação é conseguir transmitir o conhecimento nessa nova Era da informação, ou seja, em tempos de internet, TV, vídeo game, etc.

É importante entender que hoje, mais do que em qualquer outro momento da história, o aluno busca aquilo que tem relação direta com o seu dia-a-dia. Isso acontece porque a quantidade de informações disponíveis é tão grande que não há como assimilar tudo. E os jovens acabam sempre buscando o que está na moda, o que é mais popular - convenhamos, sempre foi assim, não é?

Além disso, vale lembrar que vivemos em uma sociedade imediatista, que quer seus desejos atendidos agora, já - sem esforço, sem espera. Hoje, o que mais se vê na televisão são pessoas que mudam de vida do dia para a noite, virando milionários sem sacrifício nenhum. Que exemplo é esse que estamos tendo?

A soma desse excesso de informações com a pressão por sucesso imediato (pressão essa que muitas vezes vem dos próprios pais, que colocam o filho para fazer cinco cursos durante a semana) acaba gerando uma confusão sem tamanho.

É fundamental manter o foco no que é essencial. Os pais devem ficar atentos - não basta deixar o filho na escola ou no curso de idiomas e virar as costas. Tem que acompanhar o desenvolvimento, verificar o nível de interesse. Se o jovem vai para os cursos “porque tem que ir”, vai estar perdendo tempo. Ele precisa saber claramente qual o motivo de estar lá - valorizar o investimento que os pais fazem nele - e ser cobrado da maneira correta.

Não se aprende inglês de uma hora para outra. Também não se alcança sucesso profissional e uma vida confortável dessa forma.

Tudo isso é óbvio, mas a gente se esquece. Vale a pena relembrar...

- “a grande maioria dos alunos não sabem redigir um texto simples; não conseguem escrever em outro idioma simplesmente porque não sabem elaborar uma história com princípio, meio e fim em sua própria língua”

Como já citei em meu comentário do dia 16 de julho, os jovens estão saindo das escolas semi-analfabetos.

O fato é que não se dá a devida atenção à escrita. Eu mesmo, no último ano do ensino médio, se tive cinco redações durante o ano, foi muito. E sabe quando tive uma redação minha corrigida na minha frente, mostrando meus erros e onde deveria melhorar? No primeiro ano de faculdade...

Vou repetir mais uma vez: não tem milagre. Se não se praticar o que é essencial, todo o conhecimento se perde. No aprendizado de línguas, é assim: se você não praticar, perde tudo. De que adianta aprender gramática, se não está sendo aplicada?

Uma redação por mês. Corrigida cara-a-cara com o aluno, indicando onde precisa melhorar. Não pode ser tão difícil assim...

- “leitura é um grande problema; a maioria não tem o hábito ou simplesmente detesta ler”

No mesmo comentário de 16 de julho, ressaltei que o grande problema é que não se cria o hábito da leitura, nem em casa, nem na escola. A leitura é encarada como algo impositivo - você lê porque tem que tirar nota no trabalho ou na prova... O conceito de leitura por prazer não existe.

Insisto: essa realidade só muda se houver uma formação que leve o jovem a pegar o livro na estante pra ler por vontade própria, ou seja, quando ele se descobrir como leitor. Isso depende da atitude de TODOS, sem exceção. Pais e professores devem ser parceiros nesse desafio - e insisto mais uma vez: é pra isso que existem reuniões de pais e mestres...

- “muitos alunos (crianças, jovens e adultos) não têm opinião formada sobre coisa alguma”;

- “a cultura geral dos alunos é muito baixa”.

Essa realidade vem se tornando comum por uma razão muito simples: por que fazer esforço pra pensar se posso comprar uma ideia pronta - vinda dos meios de comunicação, por exemplo? Você liga a TV e é atacado por uma avalanche: “compre isso”, “faça aquilo”, “beba isso com moderação (?!)”...

Quem é que consegue criar um posicionamento próprio desse jeito?

Essa é a sociedade “moderna”: não preparamos nossa comida; compramos ela pronta, enlatada...
E com tantas coisas pra se resolver nesse país, as pessoas preferem conversar sobre outros temas, como a possibilidade de fulano sair no paredão do Big Brother...

A verdade é que estamos deixando que coisas menos importantes tomem conta de nossas vidas. Mais do que isso: fazemos o que é mais fácil - entenda-se reclamar e procurar culpados - e só. Mais nada...

Repitam comigo: NÃO TEM MILAGRE! Todos precisam acordar para o que é essencial - e não ficar esperando pelo momento perfeito! Se o jovem não quer saber de nada, pais e professores não podem lavar as mãos, dizendo: “Ah, quer saber? Desisto...” Enquanto ele estiver em formação, tem que acompanhar, tem que cobrar, tem que impor limites. Se os pais não fazem nada (só reclamam), se os professores não fazem nada (só reclamam) e o governo não faz nada (e isso não é novidade), o jovem cresce e não chega em lugar nenhum.

E de quem é a culpa? Do próprio jovem? Dos pais? Dos professores? Do governo?
Não acham que é DE TODO MUNDO?

Senhoras e senhores: busquem o essencial. Vamos deixar o “plano do choro” e passar para o “plano da ação”...

Leonardo Donato
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